Nesse post irei falar sobre o mesmo do post anterior: É o post anterior reescrito, porém passando o que eu queria de uma forma melhor...eu espero! Então não vou ficar dizendo "como disse no post anterior" e semelhantes. Vai ter hora que vai ser igual, mesmo!
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Pois bem, o assunto é a Inteligência. Sendo um estudante, noto em diversas pessoas um desgosto pelo aprendizado e, normalmente associado, uma fraqueza nesse aspecto. Percebo julgamentos incorretos a respeito desse processo, com base em "argumentos" infundados, assim como um interesse forçado ou artificial pelo processo.
Por que vejo pessoas que se sentam à frente na sala de aula, que dizem estudar cinco ou seis horas por dia, terem desempenhos não tão positivos assim nas provas? Por que vejo alunos fazendo perguntas e, ao serem respondidos pelo professor, deixarem escapar uma expressão de não-compreensão mas mesmo assim insistir que entenderam e que a aula pode prosseguir? Por que vejo outros que perguntam aos colegas, são respondidos com uma teoria da qual seus formuladores não têm certeza e mesmo assim conformando-se ou aceitando, ainda que pareçam discordar? Não me proponho a responder essas perguntas, apenas analisar uma característica da absorção e da geração do conhecimento e da técnica; fator que pode relacionar-se com esses casos.
Antes de tudo, então, defino a inteligência: Digo ser a capacidade de interpretar e criar, porém em um sentido amplo. A base para essa amplitude é a teoria das Múltiplas Inteligências (Lingüística, Lógico-Matemática, Espacial, Musical, Cinestésica-corporal, Pictórica, Naturalista, Interpessoal e Intrapessoal). Portanto, a habilidade em observar um movimento de dança e reproduzí-lo sem grandes dificuldades é uma inteligência, tal como usar-se de cores em um desenho de uma forma imaginada por si mesmo, criando assim um efeito interessante (não necessariamente original para a História, mas original para seu criador).
Diante então de uma nova informação, o ser humano tenta interpretá-la das formas que pode, seja um texto, uma frase famosa ou uma matéria nova em uma aula, que é uma sucessão de novas informações. Precisamente esse ato de interpretar é o fundamental no ambiente escolar: uma boa interpretação do fato garante uma aceitação e uma fixação do mesmo. A partir dele, vem o que tradicionalmente na escola é considerado um bônus, porém que considero que todo aluno deveria ser capaz de fazer: tendo reconhecido a informação, ou seja, tendo sido formado o conhecimento, é possível para o aluno chegar a novas conclusões por si só. Se elas forem confirmadas pelo professor, o aluno certamente guardará aquela informação por um bom tempo: foi resultado de um exercício lógico feito por ele mesmo, fruto do próprio pensamento, e não algo "dado", meramente memorizado como um axioma.
Não posso negar que a única base para esse modelo de aprendizado é o meu próprio, uma vez que, como qualquer ser humano, sou incapaz de perceber a mente de outras pessoas, além de sequer ser um estudante de psicologia ou algo semelhante. (Por isso comentários de suas formas pessoais de compreensão são muito bem-vindos!)
Acho que a melhor forma de explicar o que percebo no meu próprio aprendizado seria a partir de um modelo simplificado do meu uso da inteligência lógica quando em devido funcionamento:
Ao receber uma informação nova, eu a questiono. Em outras palavras, eu busco suas Causas. Não é um processo consciente, é apenas natural ao ter contato com a informação. Comparo-a com conhecimentos relacionados que eu já possuo para tentar validá-la ou contrariá-la, para que eu seja capaz de, a qualquer momento, deduzí-la novamente. Caso eu não consiga validá-la, pergunto pelas causas que me parecem estar faltando. Caso eu consiga contrariá-la, explico as razões pelas quais a informação me parece falsa. Já se ela me parecer válida, validada está e ficará na mente.
Assim, parto para o segundo processo inconsciente: Comparo a nova informação adquirida com quaisquer informações relacionadas que me vierem à mente. Dessa forma, consigo chegar a algumas conclusões que por vezes são em seguida explicadas pelo professor, porém por vezes são ditas conclusões que não são trabalhadas naquele nível de ensino ou simplesmente não interessam para certo assunto, embora em alguns casos também sejam ditas boas.
Como pode ser notado, esse é um exercíco cem por cento individual. Sou eu trabalhando com minha mente, são as inúmeras vozes do meu pensamento (Não, eu não sou esquizofrênico! ...Eu acho.) discutindo entre si. Elementos externos jamais seriam permitidos nesse processo, afinal, é o meu próprio pensamento!
Isso significa que outras pessoas apenas atrapalham? Não, longe disso! Opiniões e teorias de outras pessoas são muito bem vindas e agem como lenha na fogueira do pensar, porém elas não influenciam na capacidade individual de interpretação: Elas são novas informações a serem interpretadas, devendo então passar por todo o processo.
Certamente é algo delicadíssimo e está sujeito a problemas. Teorizo que diversas dificuldades de aprendizado se dêem por pertubações nesse processo. Por exemplo, a falha em validar a informação levará a uma incerteza. Contudo, por outros fatores, como vergonha em perguntar ao professor ou medo de questionar algo que todos da classe entenderam, a incerteza não é esclarecida. Ou talvez o aluno se limite a dizer: "Professor, não entendi.", levando ao seguinte diálogo:
Aluno levanta o braço e diz:
- Professor, não entendi.
- O quê?
- Ah, esse gráfico.
O professor então repete a exata explicação que ele havia dado antes, mas com outras palavras. Não há como culpá-lo, afinal ele acredita que essa é a melhor forma de explicar. Contudo, para o aluno não fez diferença. Este então sente-se culpado por não entender, imaginando a culpa ser da "própria burrice" e tenta apenas decorar a informação. Criou-se uma falha no ensino que pode levar a sucessivas falhas posteriores para conhecimentos que dependam daquele.
Por vezes decorar é a única forma (oi, Biologia!), até porque métodos que podem ser úteis (explicação por etimologia, estou olhando para você) não são utilizados, até porque poderiam piorar. Se uma palavra tivesse um radical grego raríssimo, talvez fosse uma idéia ruim explicá-lo ao invés de memorizar a palavra mesmo. (Se você for meu professor e estiver lendo isso, digo que NÃO, EXPLICAR O RADICAL NUNCA É RUIM. NÃO LIGO SE ELE FOR RARÍSSIMO, AINDA ASSIM EXPLIQUE PELA PALAVRA PELO AMOR DOS CÉUS!!!)
Outro problema seria o avanço da aula a um ritmo superior ao da capacidade de processamento do aluno. O professor lança fatos base rapidamente e, sem esperar muito, parte para deduções, apenas demonstrando rapidamente e partindo para a próxima. Certamente a fórmula para o fracasso para o aluno que raciocina tudo o que aprende. Para o que memoriza, bem, é apenas uma falha em cima de um aprendizado falho: o que é um peido para quem está cagado?
Imagine então isso em um nível mais cedo da educação, como o ensino fundamental pré-ginásio (tem nome pra isso?), como a 4ª série (atual 5º ano). O aluno é incapaz de racionalizar tudo o que lhe é ensinado durante uma aula e parte para o método de emergência: a decoreba. Ele memoriza o método de fazer uma questão ou certo acontecimento histórico (ao invés de avaliar seu contexto), já que não consegue interpretar a informação no tempo da aula, o que inclusive o desanima.
(Off: Estou escrevendo isso no bloco de notas e percebi que não tinha salvo até agora. Ufa, ainda bem que salvei!)
Daí vem a prova. A questão cai da forma que ele aprendeu. A pergunta de história vem daquele jeito bobo: "Quem descobriu o Brasil?". Ele acerta. Chega o resultado: Dez. Ele fica satisfeito. Inconscientemente passa a adotar o método da decoreba como sua forma padrão de "aprender". Pronto: mais uma alma para longe da luz. É destruidor.
O que eu gostaria é que esse problema fosse reconhecido e combatido, pois certamente se constitui de uma fortíssima barreira contra uma educação mais eficiente e mais ampla, além de me incomodar terrivelmente. Porém, talvez a minha visão esteja simplesmente errada. Por isso gostaria que alunos, professores, ex-alunos, ex-professores e qualquer interessado opinassem sobre ela.
Comentem!
(Só falta esse texto passar uma impressão ainda pior, mas eu duvido.)
muito bom o topico levantado. O que acho interessante, até irônico é a atmosfera de tempo perdido e de urgência entre os vestibulandos em oposiçao aos anos anteriores. Mas nao acredito que a culpa seja apenas do status quo de que nao estudar eh cool. A escola podia ser mais desafiadora,deveriamos ter mais tempos de aula (integral talvez), ter muitas mais aulas praticas (grande falha do sistema educacional na minha opiniao) e praticar outras inteligencias(musica,desenho,agricultura,...).
ResponderExcluirAmei o texto! Concordo com muitas coisas ditas. Não estão sendo formados cidadãos que consigam raciocinar frente a qualquer osbtáculo em sua vida e sim pessoas alienadas que optam por atitudes mecânicas que lhes foram ensinadas quando menores.
ResponderExcluirAmigo,
ResponderExcluirIdentifiquei muitas coisas qu você falou com algumas que eu pensava. Para ser mais preciso, eu pensava exatamente tudo q vc falou. É normal esse tipo de pensamento de quem é/sempre foi o mais inteligente da turma,fazer análises , buscas as falhas e seus motivos.
Porém, nunca deixe de por na equação o valor HUMANO.Há pessoas que têm dificuldade sim, que têm medo de perguntar sim, sua análise é perfeita. Mas não quer dizer NADA o desempenho escolar/notas e simulados. Nada disso se leva na vida. Quer 1 exemplo prático?
Há 1 garoto na 301 que é burro, mas tem pai empresário. Ao sair do pH, ele que nunca estudou vai pra PUC e já sai com emprego ganhando 5.000 reais por mês.
O estudo é importante apenas para questões exatas da vida, e isso, há muito pouco. O estudo é um meio apenas de se focar onde voc~e quer chegar na vida. Mais um exemplo prático:
Um advogado precisa sempre ficar estudando para passar em concurso público e se firmar, certo?ERRADO. Um bom advogado, mesmo se formando numa Estácio, tem como se destacar através da resolução de bons casos, superando (em termos de remuneração e realização) o advogado que tinha a inteligência para passar na prova.
Novamente, tudo isso apenas para abrir uma ''nova aba'' no seu raciocínio lógico. O chamado Q.E ( quociente emocional ). A vida, meu amigo, as relações que você tem entre as pessoas e seus amigos queridos, é que dizer sua Inteligência e seu verdadeiro potencial. Isso explica um curioso fato que voc~e talvez não tenha notado: muitos alunos numa sala, apesar de reconhecerem que o FULANO 1 tem maior nota, recorrem pra perguntar e conversar sempre com um FULANO 2, que tbm é inteligente, mas tem algo a mais do que o FULANO 1
E se prepare: no futuro, esse FULANO 2 está mais preparado do que você
Obs: Não é uma argumentação pra voce quebrar as minhas premissas, até pq eu escrevi conforme me veio a mente ( 'ha,ele admitiu que tem falhas' )
Obs2: Não valorize demais a Inteligência, pois ela cega, isola e , querendo ou não, falha.
^ práticofag desviando o assunto é necessário.
ResponderExcluirSabe por que essas pessoas (que não tem uma capacidade de raciocínio lógico bem-desenvolvida, mas sabem se relacionar bem) se dão bem nesse mundo, ao meu ver? Primeiro porque a sociedade é corrupta e desigual (/captain obvious) e segundo porque a escola tenta desenvolver a capacidade de raciocínio lógico das pessoas, mas não a interpessoal. Oi, bully e panz? Quem aprende moral filosófica na escola? (quando muito, aprendem religião. Na maioria só aprendem as regras da própria escola mesmo. EU TIVE QUE *DECORAR* SOBRE UNS PUTOS DE 500 AC EM *FILOSOFIA* E NUNCA ESTUDEI MORAL AAHFGHSD)
Enfim. (..desviei total o foco) o que eu acho, Bill, não é que as pessoas deviam fazer como você disse na situação atual. Eu acho que as pessoas deviam fazer decoreba mesmo porque é o que o método de ensino procura ( não na teoria, na PRÁTICA). O ambiente escolar é aquela coisa: professores desmotivados desmotivando alunos enquanto diretores/etc ganham dinheiro e cagam-pro-ensino-só-querem-resultados etc. E quando um foge a regra e se importa de fato? Mau desempenho no vestibular = mau nome pra escola = vamos nos adaptar, yay.
E é por isso que eu odeio vestibular. Vestibular só pergunta merda. É mais um teste de "quanto você decorou" (aka "quanto você quer ganhar de salário no futuro") do que qualquer forma de teste de conhecimento. A gente aprende (aka decora) MUITA merda na escola, cara. Não é só biologia. Todas as matérias tem coisas pra decorar. Você não "contrói" um conhecimento sobre mols, ou sobre o paleolítico, ou sobre o raio que o parta... você decora o que os outros descobriram, mesmo que não te interesse nem um pouco. IMO, você não esquece mais algo que você aprendeu se o assunto vem a tona no dia-a-dia - o que NÃO acontece com a maioria dos assuntos que se aprende na escola, a menos que você esteja em um grupo de estudos ou algo de tipo. Aí, os "bons estudantes" fazem isso e ficam falando o tempo todo sobre matérias estúpidas com pessoas igualmente alienadas que conseguem entender por que o suco-de-pó-de-1L tem que ser colocado antes da água na preparação mas não sabem nem comprar a porra do suco de pó (exemplo verídico! :3) e, hooray, sistema perfeito amirite.
...Tá, eu paro com o wall-of-text nada-linear. Isso foi mais um desabafo que um comentário construtivo. ;_; mas o que eu quero dizer é: O problema não são os alunos, é o ensino. O ensino é um problema por causa do que o práticofag disse ai em cima, tudo é muito prático e foda-se a formação pessoal, que era, y'know, o que deveria proporcionar o ensino, na teoria. (pessoalmente, por isso que eu parei de me importar com estudo no ensino médio.)
E eu estou escrevendo aqui porque eu quero que se fodam as ~parasitoses~ lolol