quarta-feira, 9 de junho de 2010

A Inteligência e Os Outros

Eu estava há tempos devendo um post aqui e é um alívio estar inspirado na frente do pc escrevendo esse post. Acredito que, com certas movimentações e problemas da vida, como o próprio vestibular, meu cérebro esteja trabalhando de forma mais intensa e, conseqüentemente, mais produtiva e por isso estou tendo idéias e pensamentos múltiplos, o que é muito bom. Só faltava mesmo respirar, pensar e escrever. E, pra isso, acho que nada melhor que dormir bem e descansar, relaxar, para deixar as idéias fluírem. Enfim, sem mais blablabla.

O que me inspirou esse post foi a mente das pessoas, como as aulas que tenho no colégio. Pessoas fazendo perguntas que eu acho bobas, tendo atitudes em sala que eu acho idiotas, eu fazendo perguntas que provavelmente outros consideram bobas, entre outros. Por isso, falarei da inteligência.

Como assim inteligência?

Pois bem, acho que a melhor definição que me vem à cabeça é: A capacidade de interpretar e de criar. Contudo, é uma definição ampla. Aceito a teoria das Inteligências Múltiplas, ainda que eu admita que sinto necessidade de ler mais sobre elas.

Teoria das o quê?

Inteligências Múltiplas. São nove inteligências reconhecidas: Lingüística, Lógico-Matemática, Espacial, Musical, Cinestésica-corporal, Pictórica, Naturalista, Interpessoal e Intrapessoal. (Essa lista é de amplo debate, diga-se de passagem.)

As quatro primeiros acredito que sejam óbvias.

Cinestésica é a de lidar com o próprio corpo. Ou seja, coordenação motora, realizar movimentos corporais de forma precisa.

Pictórica é a relativa ao desenho e à pintura. Ou seja, relação com formas, imagens e cores.

Naturalista é a capacidade de perceber e entender a natureza. Detectar padrões na fauna e na flora, por exemplo.

Interpessoal é a de se relacionar com os outros enquanto Intrapessoal é a de se compreender, de se autoavaliar.

Ok, e daí?

Bom, aí que está: Estou falando de toda e qualquer inteligência aqui. Interpretar e criar vale para qualquer um dos casos. Por exemplo, pode ser compreender melhor idéias passadas e sugeridas, inclusive "nas entrelinhas", de um texto e conseguir reproduzir isso, como também pode ser observar um desenho, avaliar suas formas e ser capaz de reproduzí-lo, até mesmo com alterações desejadas, com precisão.


Acho que o mais importante desse post é dizer que a inteligência é algo completamente individual. A percepção disso me fez avaliar características do senso comum, em especial da juventude e, assim, questioná-lo.

A atividade de desenvolver e utilizar a inteligência passa por um processo de etapas. Ao observar-se algo, primeiro é feito um reconhecimento. A mente percebe e tenta identificar o que é e as diferentes formas de abordagem àquilo. Então, utiliza-se dessas formas para se compreender da melhor forma possível. Essa é a interpretação.

Já a criação é o processo reverso: A partir de uma idéia, a mente trabalha para conceber aquilo que vai ser produzido. A inteligência relacionada (ou talvez mais de uma!) é ativada e posta para gerar aquilo de forma eficiente e de acordo com os padrões já observados pela vida.

Então, pergunto: Como poderia isso ser um processo coletivo? De forma alguma. É uma relação entre o indivíduo e a própria mente.


Contudo, isso vai de encontro direto às idéias do senso comum do quanto "é ruim" estar "sozinho", "quieto". É atribuído um valor negativo a uma pessoa contemplativa que deseja estar daquela forma. O bom é "ser social". Assim, uma pessoa cria uma resistência à sua inteligência por não desejar ficar "sozinho". Fica apenas o necessário.

Não é isso também que cria os problemas escolares? Os alunos, a juventude tola e inútil, vão para a escola e a utilizam como "meio social", e não como "meio acadêmico". Perceba que não há apenas uma diferença, mas uma relação completamente inversa: Para um aproveitamento máximo da aula, é necessário um corte dos relacionamentos sociais durante aquele instante. Curiosamente, isso faz com que a escola não seja levada tão à sério academicamente e torna o lar, que deveria ser o local de repouso e lazer, um local de estudo, já que ele está sozinho e assim não se distrai com as outras pessoas. Ou seja, é feita uma inversão dos valores que seriam naturais.

É óbvio que durante intervalos, momentos de troca de professor e semelhantes há espaço para a socialização. Contudo, esse espaço é menor do que os alunos acabam desejando. Então, conversam em sala, por exemplo. Algo semelhante, aparentemente inofensivo, que também afeta é o pequeno momento de virar para o amigo do lado, de trás ou cutucar o da frente e fazer um comentário, ainda que a respeito da aula, como uma piada interna ou uma dúvida.

A dúvida é ruim? Não, não, de forma alguma. Ela é ótima. Porém, a aula é feita de forma prática e eficiente: O professor já possui o conhecimento e transmite ao aluno, que deve então interpretá-lo para conseguir aprendê-lo. Assim, a figura que possui o conhecimento de forma firme é o professor, não o outro aluno que está também aprendendo. Se o Alfonso¹ tem uma dúvida e vira para Betinho² e pergunta a ele, por serem amigos, ele e Betinho perderão uma nova informação que está sendo passada pelo professor, da mesma forma que existe o risco de, ao Alfonso falar com Betinho, afetar o processo de interpretação deste ao interromper a "comunicação interna" do mesmo, o que pode fazer com que ele acabe não compreendendo a informação que tinha em mente ou que ela fique mais frágil, mais fácil de ser esquecida.

Se os alunos desejarem discutir certa informação, isso é ótimo! Eles exercitam suas mentes analisando possibilidades e corrigindo erros próprios e dos colegas. No entanto, é negativo se de forma à parte da aula, na forma da amada e odiada "conversa paralela", pelas razões já ditas.

Considere também o alunos que não conseguem acompanhar o ritmo da aula por falta de compreensão da matéria ou dificuldade com aquele tipo de inteligência. É muito comum que um aluno que sofra dessa "perda de ritmo" de forma freqüente tenha também uma dificuldade maior em se concentrar (independente desse fator ser causa ou conseqüência). Esse é o tipo de aluno que facilmente se distrairá e tentará chamar atenção dos seus colegas, gerando assim um efeito dominó. Efeito esse que não existiria, ou ao menos não seria tão ruim, se os outros alunos automaticamente rejeitassem esse tipo de desconcentração, mas parece que a gravitas não é uma virtude em alta ultimamente.

O pior é que isso é um problema não só na escola, mas na formulação de qualquer inteligência: de esportes a capacidades artísticas.

Não vejo nenhuma solução rápida ou fácil e culpo tanto a educação dada a esses jovens quanto os próprios alunos, incapazes de se conterem da forma devida. No máximo uma conscientização quanto é isso é necessária, mas não é com uma conversa com adolescentes loucos com hormônios à flor da pele que vai dar muito certo, infelizmente. O ideal seria conscientizá-los quando mais velhos, assim como os adultos, para que criem seus filhos de forma a exterminar essa "cultura".

Quanto às discussões (=/= brigas) entre alunos durante as aulas, eu acho que os professores deveriam incentivar quando possivel: É bem produtivo um aluno tirar a dúvida do outro ou debaterem um ponto que discordem, desde que o professor supervisione para ver se os argumentos estão corretos e se os dois lados compreenderam devidamente.

Está longe de ser um texto muito bem organizado, mas acho que expressei bem a idéia que eu queria. ...Ou ao menos espero. Bem, se não estiver, é só perguntar aqui embaixo! \/

Obs: ¹: Pessoa A;  2: Pessoa B!

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