Simpático, o senhor: A experiência viva conversava com as garotas, embora não se conhecessem. Gesticulava, fazia caretas, falava animadamente. As meninas sorriam e riam das histórias que contava. Ele relatava contos de sua época, comparando com os dias de hoje. Elas por sua vez riam, sem dúvidas reconhecendo nas falas do homem o que vivenciam e estranhando as diferenças. O ar agradável do novo encontrando com o velho encantava a situação, como se computadores conversassem com máquinas de escrever.
Pouco depois, a máquina de escrever despediu-se e saltou na estação que estava. O carro esvaziou ainda mais e os computadores ficaram a rir e cochichar. Na estação seguinte, a de cabelos escuros saltou, ficando apenas sua amiga. Fiquei apenas concentrando no som que saía de um dos meus fones de ouvido. Então, como se surgido do próprio ar, um duende surgiu. Duende, gnomo, anão; como preferir.
Sua aparência era a de um homem de estatura baixa, porém largo, gordo, totalizando alguém grande. Seu grande rosto apresentava grandes bochechas cadentes, lábios avantajados, em especial o inferior, queixo redondo, pálpebras cansadas, porém um olhar cheio de energia e uma expressão alegre no rosto. Seu pescoço começava a se confundir com seu queixo. Vestia, se bem me recordo, uma camisa polo de cor clara e bermudas. Carregando uma sacola, andava devagar, arrastando um pouco os pés no chão, do lado que eu encarava até o outro. Parou em frente à estudante e voltou-se para o chão. Foi aí que vi ( e creio eu que não notaria não fosse esse homem ou, na realidade, duvido que existiria não fosse para esse homem): uma moeda reluzia no chão. Uma simples moeda de pouco valor brilhava, e o homem abaixou-se, pegou-a e, com um grande sorriso de lábios fechados que empurrava suas bochechas, segurou-a entre o indicador e o polegar, mostrando para a jovem, que pareceu não ver. Não importava. Eu havia visto, ainda que ele provavelmente sequer saiba disso. Em um gesto rápido, largou a moeda e agarrou-a no meio da mão. Com seu sorriso, guardou-a em um bolso e continuou a andar de sua maneira lenta, arrastando os pés no chão, para fora do carro, que havia então chegado a uma estação. Acompanhei com o olhar o homem subindo as escadas do lugar e apenas uma coisa passava pela minha cabeça: sem dúvidas, era um duende.
Como eu disse no post anterior, esse blog tem como um de seus objetivos exercitar a escrita. Fiquei inspirado hoje e resolvi escrever esse, contando algo que aconteceu comigo hoje.
Sei que tenho muito a melhorar (yadayadayada), mas espero que tenham gostado. (yadayadayada²)
>Sua aparência era a de um homem de estatura baixa, porém largo, gordo, totalizando alguém grande.
ResponderExcluirgenial isso, bjs